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As Horas - Mitologia Grega | NERD Mitológico


As Horas eram originalmente deusas do ano, das estações climáticas e da ordem natural da natureza. Mais tarde passaram a personificar também a ordem humana e social. Associadas com as Moiras que eram suas meias-irmãs, cuidaram de Hera na sua infância e foram suas servas, ajudaram no aperfeiçoamento de Pandora e assistiram o nascimento de Hermes e Dioniso.


Eram as guardiãs das portas do Olimpo organizando a passagem das estrelas e participavam do cortejo de Afrodite e dos demais deuses e deusas relacionados ao trabalho agrícola e à passagem das estações como Perséfone. Serviam e eram encarregadas de guardar a ambrosia que era o alimento dos deuses e oferecê-lo aos humanos que viessem a merecer a imortalidade e a divinização. Muito tempo depois, as Horas passaram a personificar a divisão do dia.

Filhas de Zeus e Têmis, as mais velhas e mais conhecidas eram Eirene, Eunômia e Dikê. Posteriormente surgiram as demais Horas: Auxo, Acme, Anatole, Disis, Dicéia, Euporia, Gimnásia, Talo e Carpo. Na versão arcaica ateniense, as Horas cultuadas pelos camponeses eram representadas como jovens rodeadas de flores coloridas, vegetação e outros símbolos de fertilidade. Originalmente representavam apenas três estações do ano: primavera, verão e outono e na versão mais conhecida das eras helenística e romana, as Horas eram:
  • Diké ou Dice era a deusa dos julgamentos e da justiça humana, vingadora das violações da lei que na mão direita sustentava uma espada e  na mão esquerda sustentava uma balança de pratos que representava a igualdade de direitos. Representava a organização das coisas para harmonizar a sociedade e as relações dos indivíduos. Na mitologia grega era representada com os olhos abertos simbolizando a busca pela verdade. Chamada de Iustitia pelos romanos, passou a ter os olhos vendados simbolizando a imparcialidade nos julgamentos. 
  • Eunomia era a deusa da disciplina ou equidade, das leis e da legislação. Representava o resultado do esforço contínuo do indivíduo para melhorar suas habilidades e aperfeiçoamento. Era deusa auxiliar de artistas e da maioria dos mortais que chegaram a desenvolver habilidades excepcionais devido à disciplina e persistência.
  • Eirene ou Irene personificava  a paz, descrita na arte como uma bela jovem que portava uma cornucópia, um centro e uma tocha, chamada pelos romanos de Pax. Estaria ligada a compreensão da ordem natural sem se opor à ordem natural dos eventos. Esta seria a verdadeira paz para os gregos da época, uma harmonia e consequente conforto ante os eventos cotidianos.
  • Dicéia era a deusa menor da justiça e dos acordos
  • Gimnásia era a deusa da ginástica e dos esportes.
  • Euporia era a deusa da abundância.
  • Disis era a deusa da finalização do dia, o por do sol
  • Acme era a deusa do apogeu.
  • Anatole era a deusa da alvorada e do nascer do sol.
  • Talo ou Thallo que significa broto, era a deusa dos brotos e dos botões de flores, protetora da juventude.
  • Auxo ou Auxésia que significa crescer, era a deusa do florescimento. 
  • Carpo ou Karpo que significa fruto, era a deusa do amadurecimento, encarregada do outono e da colheita. Era filha de Clóris ou Flora - a deusa da primavera e Zéfiro, o vento da primavera. 
Um conjunto de doze Horas passou a personificar as doze horas do dia, do nascer ao pôr do Sol, como suas deusas tutelares:
  • Auge, a primeira luz
  • Anatole ou Anatólia, o nascer do sol ou alvorada
  • Música ou Mousika, a hora matinal de estudo da música
  • Ginástica, Gymnastika ou Gymnasia, a hora matinal do exercício físico
  • Ninfa ou Nymphe, a hora matinal do banho   
  • Mesêmbria, o meio-dia
  • Esponda ou Sponde, hora das libações após a refeição
  • Elete, a rezadora ou a primeira hora de trabalho da tarde
  • Acte ou Akte, a segunda das horas de trabalho da tarde
  • Hésperis ou Hespérides, a tarde ou entardecer
  • Dísis ou Dysis,  o pôr-do-sol
  • Arctos ou Arktos, a constelação da noite, Ursa Maior.
Frequentemente associadas às Graças, as deusas Horas foram representadas por muitos artistas como dançarinas de eterna juventude a quem se prestavam inúmeros cultos. Na mitologia romana tornaram-se alegóricas representando as estações. Eram consideradas como companheiras do Sol e da Lua, filhas de Cronos, o Senhor do tempo, por personificarem as horas do dia e da noite.

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